sábado, 4 de janeiro de 2014

Nunca teremos um Tobias Sammett.

A desgraça do Brasil é que a permanecerem as coisas como são - e elas dão toda indicação de que vão se incrustar no ethos brasileiro - jamais teremos algum jovem que fará nada sequer parecido com o que fez o alemão Tobias Sammett. 

Tá, essa é do tempo em que ele tinha mais cabelos.

Quem é Tobias Sammett, ora raios?  É cantor e compositor. Até aí, morreu Neves.  
A coisa que causa espécie - salut, Joaquim Barbosa! - é que ele detonou no mundo da música pesada com a criação da Metal Opera Avantasia,   e o subsequente Scarecrow. Principalmente no caso de Avantasia, ocorre uma mistura de hard rock, música clássica e ópera, contando a estória de um noviço envolvido com caça às bruxas que se rebela contra a igreja quando descobre que sua meia-irmã está prestes a ir para a fogueira. Atirado ao calabouço por ler um livro proibido, conhece um druida e descobre a realidade alternativa de Avantasia. Troca de propostas feita - o druida ajuda Gabriel Laymenn, o noviço, a salvar sua irmã e Gabriel ajuda o druida a proteger Avantasia, o resto é música da boa, criativa e envolvente. A estória se passa no ano de 1600 e alguma coisa, misturando personagens fictícios com pessoas reais. 
Mas minha preferida é a série Scarecrow com três albuns. Mais densa, mais pesada, com uma estoria mais poética. 

Mas o que isso tem a ver com o Brasil? Muita coisa. Desconte-se o fato de Sammett ser muito carismático - ele conseguiu convencer monstros sagrados do heavy a participar de um projeto pra lá de ousado de um cara que mal começava a despontar no mundo da música - já que carisma é dom.
Atente-se para o fato de que Sammett  explodiu com Avantasia quando tinha 23 anos. Vinte e três. E já tinha uma bagagem cultural bem considerável. 
Onde, em que lugar dessa bagunça chamada Brasil vamos encontrar algum garoto dessa idade que saiba tocar instrumentos, que tenha conhecimento cultural desse nível, que tenha essa ousadia, essa garra,  essa determinação? Não precisa ser para fazer música não. Para fazer qualquer coisa. Se bem que outrora, na distante (para mim) Belo Horizonte teve um grupo de garotos mais ou menos assim. Pegaram seu talento e cultura,sua garra, ousadia, determinação  e se tornaram o Sepultura. Deu-se isso na era pré- coitadismo.
Era um tempo em que se valorizava a iniciativa, o mérito, a disposição de batalhar para se conseguir o que se queria.
Depois veio Paulo Freire e sua "pedagogia do oprimido". Sério, pensar nesse cara me faz o fígado virar do avesso de tanta indignação. Desculpando o francês, mas esse cara fodeu com tudo. 

Depois dele, fazer por merecer alguma coisa tornou-se crime. Principalmente na escola. No meu tempo, ser distinguido pelo bom desempenho escolar era a glória. Os alunos esperavam do professor que distinguisse os bons alunos e o professor sabia que fazendo isso estimulava os cabeçudos e preguiçosos. Bom, nem todos, que ser humano é ser humano em qualquer tempo e idade. O que eu ganhei de gibis por fazer a lição dos alunos mais inseguros e dos muito preguiçosos não está...no gibi...(risos) eu sei que fui pilantra, mas dinheiro pra comprar meus Tex, Homem Aranha, Jonah Hex, Ken Parker, X-Men, Vingadores, estava sempre em falta. E ademais, trabalho é trabalho e tem que ser pago.

Opa, voltei uns trinta e poucos anos. Adiante.
Além desse facínora facinoroso do Freire apareceu a cretinice do construtivismo. Juntou a miséria moral com a miséria intelectual. Deu nisso.
Alunos desinteressados, sem estímulo, folgados, emburrecidos, que olham com ar chocado se a pessoa usa uma palavra com mais de duas sílabas. 
Eu não os responsabilizo. Não totalmente, pelo menos. Eles encontram uma situação já dada. 
A situação lhes diz o tempo todo que eles são coitadinhos, que são naturalmente incapazes, que são feitos de cristal, que não precisam (e nem devem!) se esforçar, por que a situação vai providenciar para que a mãe e /ou pai não lhes aplique uma sonora palmada quando passarem de todos os limites, sabendo que estão fazendo isso; vai providenciar para que sua preguiça e indolência sejam premiadas, nivelando todos por baixo; vai incensá-los como os portadores da pureza original do ser humano, quando são bem pequenos. Aqui uma nota: nada há de mais selvagem, egoísta, potencialmente destruidor que uma fofa criança antes dos cinco anos. Eu sei. Criei meus filhos. Despertam um amor furioso e intenso, capaz de muita coisa, isso é fato, mas deixadas sem limites muito claros, tornam-se monstrinhos. Também sei disso, fui babá de uns tantos.
 Fim da nota. 
Esse psicologismo nocivo que começou a se infiltrar lá pelos idos de 60 e se espalhou feito miasma, essa porcariada de paulofreirismo, de construtivismo, vem paulatinamente destruindo gerações de brasileiros.

Costumava-se dizer que os jovens eram o futuro do Brasil. Danou-se tudo então, o Brasil praticamente não tem futuro.
Não com universitários analfabetos funcionais; não com garotos e garotas que aos 15, 16 anos são incapazes de compreender um livro da antiga coleção Vagalume, como Tonico e Carniça, e que teriam chiliques politicamente corretos se conseguissem ler Coração de Onça. Que olham para um livro com 200 páginas e parecem ter ânsias de vômito. Pensar que temos que nos regozijar quando, tendo assistido Crepúsculo, se animam a ler a série e passam a pensar que já têm uma bagagem literária...

Não, nunca teremos um Tobias Sammett.  Até porque nossa mentalidade vem sendo moldada para desprezar, devido ao rancor invejoso próprio dos fracassados, os exemplos de sucesso que, embora possam principiar pelo talento, demandam muito suor e labuta para se concretizarem, muita disposição para aguentar as frustrações, muita determinação para se chegar onde se deseja estar. 
Que o digam os agora quarentões do Sepultura. Lá fora são exemplo inspirador. Aqui no Brasil são quem mesmo? Ah, aqueles malucos drogados que berram coisas de satanás. E o mais engraçado, ou tragicômico, é que eles também acabaram contaminados pelo miasma nacional, em certa medida. 
Garotos brasileiros, vocês deveriam deixar esse funk de lado e ao menos correr atrás de tentar aprender a fazer melodia com uma bateria como um Igor Cavalera ou um Elói Casagrande. Pelo menos isso.


Esse texto foi escrito ao som de The Final Sacrifice, um dueto sensacional de Tobias Sammett e David DeFeis  em Metal Opera Pt II, para desopilar o fígado.  E de Roots, Bloody Roots, do álbum Roots, Sepultura, para dar um desafogo no emputecimento com eztepaiz. 




Seja você um coala, se quiser. Eu passo.

Para o caso de o improvável acontecer e algum navegante aportar cá a estas plagas,  favor prestar atenção na sinalização.



Sou uma brasileira muito irada com o baguncismo que tomou conta do Brasil. Seguindo a terminação da palavra brasileira, isso significa que sou também mulher, do tipo hétero.
Essa explicação se faz necessária nesses tempos de identidade de gênero e bláblá. Pois que eu poderia ser aí um João das Couves vivendo um momento Laerte. Esse esquisito aí.

Putz! Como menino já é um desastre, de menina a tragédia é acachapante.

Não é que eu seja homofóbica não. Respeito os homossexuais como respeito qualquer um que não pretenda fazer os outros engolir na marra suas idiossincrasias.
Dito isso, digo também que sou mestiça. Significando que não sou afro-descendente exclusivamente e nem euro-descendente se existe alguma coisa assim. Sou uma mistura de brancos e pretos. Só explicando. Esses são tempos estranhos em que pessoas parecem só se sentir devidamente humanas se antepõem um rótulo em si mesmas e nos outros.

Sou liberal. Penso que o Estado deve se meter o mínimo indispensável na vida da gente. A iniciativa privada oferece muito mais chances de modificar para melhor a vida das pessoas e o caráter das pessoas. Não é a esmola estatal que dignifica o ser humano. É o trabalho.

Sou ateia. E quando me der na veneta escreverei a respeito. Não tenho intenção de ofender, mas receio que isso acabará por acontecer, já que minha visão da crença é um tanto quanto crua.

Sou decididamente anti-petista, anti-lulista, e considero que ter DilmaAnta como presidente do...disso aqui que chamam país é extremamente ofensivo à capacidade das mulheres. Se bem que a capacidade das mulheres pode ser altamente discutível se elas votam na boneca de ventríloquo e consentem em chamá-la presidenta. Presidenta não existe; existe presidente e existe a incompetente tapada lá do Planalto. Os búlgaros deveriam ir às Nações Unidas registrar um protesto em plenário contra a ridicularização e péssima imagem que a Anta transmite do país deles. Deveriam proibi-la de dizer que descende deles.  

Eles estão tirando uma com a nossa cara.

Abomino visceralmente a porcaria emburrecedora dessa miséria mental e intelectual apelidada politicamente correto. Não sou almofada da decoração coordenada da sala da madama para ser igual todo mundo, pensar igual todo mundo, falar igual todo mundo, nessa sopa indigesta de direitos que nivela tudo por baixo.  O que não significa que não possa considerar  falar , pensar, ser igual todo mundo se todo mundo largar mão de ser lesado e voltar a agir como seres humanos dignos dessa definição. Somos animais predadores que precisam de vigilância, coerção, etc. e tudo bem, mas sem essa histeria toda. 
Fossem nossos ancestrais primitivos politicamente corretos  não teríamos sobrevivido ao carnívoro mais próximo na savana.



Eu sou um ser humano e não tenho vergonha de ser um. O que não sou é um coala bonitinho fazendo  pose meiguinha na árvore. O que eu achar negativo em mim, quero eu mesma decidir quando e como corrigir.

Desprezo solenemente todo e qualquer inteliquitual  esquerda-caviar e suas especialidades em fumaça. É um desses começar a falar e eu sair de perto ou mudar de página/canal.
Detesto funk. E acho que se ainda não chegamos no fim da picada estamos bem perto de lá, com essa imbecilização coletiva de achar que um bando de manés entoando loas á marginalidade e denegrindo a polícia como um todo é cultura. 
No geral nem assisto filme nacional. Experiências prévias já mostraram que cineasta brasileiro pensa que filme é sinônimo de palavrão gratuito e "conscientização social". Se desculpam o francês, convém dar descarga na merda, não filmá-la. Também não gosto de novelas, é muita enrolação e mensagens sociais, pelo menos a última em que dei uma olhada, nem lembro o nome. Caca.

Não é que eu esteja ficando velha e saudosista. É o país mesmo que degringolou. Todo dia vejo provas disso.
Como sociedade estamos rapidamente perdendo valores que não podem ser perdidos. Depois do advento do PT o que era certo ficou errado, exalta-se a boçalidade, a vulgaridade, bandido agora é vítima...
A lista é grande. Esse não é o país que quero para mim, para meus filhos, para toda a gente de bem, que há muitas aqui. Ainda.
O que está faltando é começarem a se expressar. Parar toda essa baderna e recomeçar do zero, se for preciso.
Parar o mundo, descer, avaliar o tamanho do estrago e arregaçar as mangas para por tudo em ordem.

Este texto foi escrito ao som de Cereal Metal, Massacration. Pois até para esculhambar é necessário ter competência.